sábado, 30 de maio de 2009

O tênis dele não combina mais com os saltos dela

A vida dela andou nesse um ano e pouco que eles ficaram sem se falar. Ela mudou. Piorou em algumas coisas, melhorou em outras, mas mudou. Ela, que não gostava de country, agora compra ingresso com um mês de antecedência e coleciona cds. Ela trocou a cama por uma melhor, o sofá da sala por um colorido lindo, mudou os móveis de lugar depois do Natal, fez algumas telas, colocou cores em todos os quadros brancos. trocou o carro por outro que anda muito mais. Mudou o tom do cabelo mais uma vez, o estilo das roupas. Fez vários novos amigos.


Para ele, parece que o tempo não passou. alias muita coisa passou.Ele acha que pode chamá-la pelos apelidos que ele costumava inventar pra ela, acha que pode pegar nela onde bem entender e que pode arrumar o cabelo dela pra trás da orelha.


Não.Eles ainda têm algum assunto, mas ela já não faz mais piadinhas pra implicar com a vida de solteiro dele ou a vida que ele inventou. Ela não é mais dissimulada quando ele pergunta se ela está com alguém. Ela está solteira e não precisa mais fingir que está de rolo com alguém pra fazer ciúme nele. Não faz mais sentido. Nada mais faz sentido. As brincadeiras, o abraço, o toque do corpo. Acabou a emoção, acabou o brilho no sorriso, acabou o sorriso nos olhos. Coisas do tempo. Mais o coração dela ainda treme quando ele aparece assim derrepente.


Ele partiu sem nenhuma dor. Ela fechou a porta e sua vida continuou de onde estava. Pela primeira vez, ela fechava aquela porta sem sentar na escada e chorar por ele ter ido embora pra sempre. Pela primeira vez, ele saiu sem que ela o observasse partir com o coração apertado. Pela primeira vez, ele foi embora sem deixar uma gotinha de esperança de que ela pudesse tê-lo de volta na vida dela.


Pela primeira vez, ele partiu sem que eles tivessem trocado mais do que um abraço apertado. Pela primeira vez, ele se foi sem que eles tivessem remexido o passado ou chorado porque alguma coisa não deu certo entre eles. Pela primeira vez, ele foi embora de verdade. Pela última vez, ele foi embora.

ele foi embora ela ficou, mais ela não esta mais aqui. e mesmo assim eles continuam sem saber o que acabou. a unica certeza é que acabou sim. pelo menos por enquanto.

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Ps: texto de http://ateondevai.blogspot.com, adaptado por ME

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Shopping, Livraria, Café, Bobagem And AMIGAS


Era tudo que eu precisava, exausta, cansada e feliz em cima dos saltos. Resolvi me dá o luxo e tirarei uma tarde de folga. Entrei na livraria saraiva do Manauara, fiquei deslumbrada, meus olhos não estavam acreditando que eu estava ali, livros, historias, leitura. Um café aconchegante, nomes de membros da academia de letras estampado bem na minha cara. Pronto sentei. Peguei todos os livros que precisava, tirei algumas duvidas, por hora queria bater um papo com o próprio kandisky afinal historia da arte é complexo, na sua leitura consegui entender porem seria pedir muito que ele ressuscitasse e me explicasse melhor suas linhas e seus pontos. O telefone tocou. era a Tê – ela sim vivinha da silva- do outro lado da linha dizendo que também estava por perto. Beijos no rosto, sentamos, pedimos café, colocamos o papo em dia, nossa o que é aquilo? Quem é ele, amigo dela. Não, não mais um amigo dela? Eu preciso ter cautela com os amigos dela, são todos educados, são todos sorridentes, mais... Tem sempre um mass... Mais ele ler livros, gosta de livrarias, penso "taí tudo que eu preciso" afinal eu sou pós graduada, acabei de ler a bassa de arte, sou comunicativa, cheia de diplomas e livros na cabeceira da cama. Preciso aprender a gostar de homens que no mínimo sabem diferenciar o que é uma boa leitura e não o caderno do esporte do jornal de domingo. Oh ele se despede, me dá um beijo no rosto e vai embora. Todos vão embora, então tchau. Continuo com ela- minha amiga- decidimos entrar em lojas, escondo o cartão de credito de mim mesma, as lojas começam a se preparar pro dia dos namorado, penso bom pra mim- menos uma divida pro mês. Isso me angustia, vamos pra outro shopping, qualquer um, será que ainda existe algum com decoração das mães? qualquer coisa, mais muda essa decoração. No outro shopping elas, outras amigas, um encontro de destino, e assim ficamos, as quatro. Conversando. Comendo. Dividindo o melhor da vida, as melhores das datas. O dia com as amigas. Elas – me entendem, me respeitam, me aceitam, e eu as aceito, e as amo. Assim com a simples certeza de que isso vai ser pra sempre, tem sido assim a mais de 7 anos, e de todos que passaram elas continuam, seja no shopping, na livraria, ou nas compras...
mais quem sabe uma delas não dá meu numero pro gatinho da livraria.
Não custa nada.
Ou será que custa?
LP

domingo, 17 de maio de 2009

Quero o estrago


Não há nada que me deixe mais frustrada do que pedir sorvete de sobremesa,contar os minutos até ele chegar e aí ver o garçom colocar na minha frente uma bolinha minúscula do meu sorvete preferido. Uma só.

Quanto mais sofisticado o restaurante, menor a porção da sobremesa. Aí a vontade que dá é de passar numa loja de conveniência,comprar um litro de sorvete bem cremoso e saborear em casa com direito a repetir quantas vezes a gente quiser, sem pensar em calorias,boas maneiras ou moderação.

O sorvete é só um exemplo do que tem sido nosso cotidiano.

A vida anda cheia de meias porções, de prazeres meia-boca, de aventuras pela metade. A gente sai pra jantar, mas come pouco. Vai à festa de casamento, mas resiste aos bombons. Conquista a chamada liberdade sexual,mas tem que fingir que é difícil (a imensa maioria das mulheres continua com pavor de ser rotulada de 'fácil').

Adora tomar um banho demorado, mas se contém pra não desperdiçar os recursos do planeta.
Quer beijar aquele cara 20 anos mais novo, mas tem medo de fazer papel ridículo... Tem vontade de ficar em casa vendo um DVD, esparramada no sofá, mas se obriga a ir malhar. E por aí vai.

Tantos deveres, tanta preocupação em 'acertar', tanto empenho em passar na vida sem pegar recuperação. Aí a vida vai ficando sem tempero, politicamente correta e existencialmente sem-graça, enquanto a gente vai ficando melancolicamente sem tesão...

Às vezes dá vontade de fazer tudo 'errado'! deixar de lado a régua, o compasso, a bússola, a balança e os 10 mandamentos. Ser ridícula, inadequada, incoerente e não estar nem aí pro que dizem e o que pensam a nosso respeito. Recusar prazeres incompletos e meias porções.

Até Santo Agostinho, que foi santo, uma vez se rebelou e disse uma frase mais ou menos assim:
'Deus, dai-me continência e castidade, mas não agora'...

Nós, que não aspiramos à santidade e estamos aqui de passagem, podemos (devemos?) desejar várias bolas de sorvete, bombons de muitos sabores, vários beijos bem
dados, a água batendo sem pressa no corpo, o coração saciado.

Um dia a gente cria juízo.
Um dia.
Não tem que ser agora.

Por isso, garçom, por favor, me traga: cinco bolas de sorvete de chocolate, um sofá pra eu ver 10 episódios do 'Sex in the City", uma caixa de trufas bem macias, OK? Não necessariamente nessa ordem.

Depois a gente vê como é que faz pra consertar o estrago. .


PS: Esse texto não é meu, achei nas minhas leituras noturna, adorei pq eu quero o estrago. cansei de fazer tudo certinho. mais tem alguem aqui me cobrando responsabilidade. tou surda!

( otima semana pra vcs. e pra mim, que já sei que vou estudar a semana inteira- reta final de muitos planos- que eu preciso conseguir. )
Bjoss LP

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Eu, os textos, meu leitores.

"escrever, que sempre foi a única coisa que adiantava para os dias passarem menos absurdos, já se tornou algo ridículo. Escrever sobre você de novo? De novo? Tenho até vergonha. Nem eu suporto mais gostar de você. E olha que nem gosto." (Tati Bernardi)


Há dias que venho tentado escrever algo que fuja desse romantismo barato que se aloja em meus escritos. Escrevo, leio, releiro, apago, escrevo novamente, penso que não deveria postar quando vejo postei. Adélia Prado, Cecília Meireles, Caio f. de Abreu, Rubem Alves, Fernando Veríssimo, Fernando Pessoa (e bora pessoa nisso) Tatiana Bernarde, Fabiana Borges, Martha Medeiros incluindo Pe Fabio de Melo -
Eles são escritores, eu não. São meus amigos intelectuais, cheios de magias, sem vergonha do que escreve, e cheios de sensibilidades, vão pra cama comigo, as vezes dormem embaixo do travesseiro e eles nem sabem. A mim me cabe o saber que eles existem, que os leio e me devolvem. Eu sou uma menina que rabisca e que perto deles sou um borrão. Eu fujo da regra, esqueço o acordo ortográfico, tenho vícios de linguagem, mais sou viciada em leitura. Em blogs . Penso que escrevo melhor quando tou sentindo, sofrendo, ardendo. Mais isso não quer dizer que sou o personagem da historia. Deus me livre de escrever certas coisas, apago. Meus Deus isso aqui não é um diário, nem uma revista de fofoca, nem o livro aberto de uma loira, mais é um canto que posso chamar de meu.
Se é meu lá vai eu digitar novamente. E o "Ele" da vez, vai tremer quando ler meu texto. Porque eu sempre meto medo nos caras? com muita pretensão e sentimento de posse ele vai acordar cedo e ir direto pra internet verificar se atualizei a pagina, se escrevi alguma coisa dele, da festa, da noite, de nós. Vai me ligar pedindo que eu apague. Vai me mandar uma msg me chamando de louca. Como assim carapalida tem teu nome no texto?não? Então leia novamente, aprende e da próxima vez faz tudo diferente. Porque eu escrevo pra mim, pro mundo e pra quem quiser ler. Pra quem quiser me levar pra mesa do trabalho, pra uma visita inesperada, pra quem se identifica. As amigas vão morrer de ri, e me chamar de corajosa. Eu apenas vou publicar sem esperar uma resposta.


...são pensamentos soltos
traduzidos em palavras
pra que você possa entender
o que eu também não entendo...

(Rogério Flausino)


PS - Por falar nisso, um beijo pros meus leitores que me enchem de alegria quando dizem que gostaram de algo desse blog. Pros antigos e pros novos, e pros de sempre.
Ahhh e pra secretária lá da Gama filho(esqueci o nome) que se confidenciou leitora desse blog e me deu o luxo de me add nos seus favoritos. (Adorooo)
Tanks honey!
LP

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Entre a lei natural da vida, e a saudade.


O telefone tocou, a noticia que já se esperava. Um silencio e a certeza de que(agora) ela esta bem. Ela: Mulher forte, guerreira, religiosa, matriarca. No auge dos seus 100 anos, cumprindo a lei natural da vida. Com uma memória invejável e um encantamento de 18. Nos deixando aqui, ciente de que sua missão foi cumprida. Diante de mim uma distancia a ser percorrida, mais eu não queria percorrer nada. Todo ano é isso, anos após anos o mesmo ritual se repete. Velório, choro, luto. Foi assim quando uma amiga de 20 anos resolveu partir depois de uma doença boba, foi assim ano passado quando uma amiga teve a falta de sorte de encontrar no caminho uma “motorista” que usou um carro como arma. Eu aqui esperando o telefone tocar, e quando tocou não consegui me conter. Depois de todas as lembranças, e da culpa que chegou me perguntando o porque eu não fui a festa com ela, pude contemplar seu corpo, agora só seu corpo e marca de um acidente que depois de 1ano me pergunto por que? Os dias que se sucederam foram os piores, e quando eu acho que tou preparada, o telefone toca: silencio!! ah lógico estamos em 2009, alguém precisa me deixar esse ano. E dessa vez : eu deixo você ir. DEssa vez não teve dor, não teve choros. Foi o fim, a lei natural da vida. O começo da tua nova vida. longe daqui, longe dos seus. E ainda assim, perto. Bem perto de nós.
Bisa, sou muito orgulhosa de ser sua bisneta, orgulhosa porque meu primeiro texto na redação no colegial foi sobre você, lembro que a professora pediu um texto sobre alguém querido, e eu escrevi sobre a “Bisa”. Eu sabia que um dia ia voltar a escrever sobre você, e a única certeza dos dias que ainda virão é que vou ter o que contar pros meus filhos, pros meus netos e quem sabe pros meus bisneto, não sei se vou viver 100 anos mais esses 26 no qual fiz parte da sua vida, são dignos de orgulho, ou melhor de amor. E quando a saudade bater vou ler o que escrevi na redação do primário: Bisa te amo, (pra sempre)
Sua missão foi cumprida meu amor, ai de cima olha por nós e que aquela união construída só no dia do seu aniversario seja para sempre. Vai ser difícil unir todo mundo e ver a casa cheia dos parentes que vinham de longe pra cantar parabéns e assobrar todas as velinhas. Vai ser difícil, mais ainda existe motivo pra comemorar. Vai em paz, porque eu sei que você foi direto pro Céu! Sem escalas, sem perguntas, sem duvidas. Fique com Deus e de muitos beijos e abraços apertados nEle...

ahh e se encontrar com minhas amigas , diga a elas que continuo fazendo tudo que fariamos juntas. E não preciso dizer que a saudade será imensa.
L.P.