por Maria Rita Angeiras
Às vezes você tem certeza que aquele cara com sorrisinho bobo e jeitinho de ;cuida de mim; vai acabar com a sua tranqüilidade e um belo dia vai te deixar aos pedaços no meio da rua, mas você respira fundo e segue em frente. Porque, cá entre nós, não existe racionalidade que resista a esse tipinho de homem. Então um filme passa rapidamente na sua cabeça e você já imagina tudo que vai acontecer: o começo intenso, os momentos perfeitos, os olhares avassaladores e a hora em que ele simplesmente vira as costas e te abandona naturalmente, dando aquela viradinha malandra e te mandando um beijo lá da esquina. E você fica lá, meio triste, mas também meio conformada, porque sabe que esse tipo de homem passa pela sua vida rapidamente, como uma piscada, porque precisa se alimentar da paixão fulminante de centenas de mulheres ao longo do caminho, num impulso insaciável de bicho que respira últimos suspiros e sobrevive de amar aos pedaços. E são os únicos homens perdoáveis e nós nunca deixamos de amá-los ou de lembrá-los com carinho, porque carregam consigo uma certa inocência infantil que temos necessidade de consolar com abraços maternos e olhares compreensivos. E nunca desejamos mal a eles de verdade, porque quando um homem desses morre, pelo menos umas duzentas mulheres morrem junto. É quase uma sociedade secreta onde tudo acontece, mas nada se diz, talvez para não quebrar a poesia abafada. E carregamos nossos falsos-amores como troféus pela dor que suportamos toda vez que eles vão embora levando uma parte do nosso choro no ombro da camisa, porque aqueles homens não são e nunca serão de ninguém. E nós ficamos lá, paradas no meio da rua, como frágeis bonecas de porcelana, completamente ocas por dentro, imaginando a próxima que vai ter a sorte de se esconder naquele abraço. E eles seguem em frente, vivendo desse quase-amor distribuído sem culpa, invejado por todos os outros homens que nunca conseguirão ser amados com tanta urgência, por tantas mulheres e em tão pouco tempo.
*
Achei esse texto nos meus favoritos..
posto em breve! prometo.
Às vezes você tem certeza que aquele cara com sorrisinho bobo e jeitinho de ;cuida de mim; vai acabar com a sua tranqüilidade e um belo dia vai te deixar aos pedaços no meio da rua, mas você respira fundo e segue em frente. Porque, cá entre nós, não existe racionalidade que resista a esse tipinho de homem. Então um filme passa rapidamente na sua cabeça e você já imagina tudo que vai acontecer: o começo intenso, os momentos perfeitos, os olhares avassaladores e a hora em que ele simplesmente vira as costas e te abandona naturalmente, dando aquela viradinha malandra e te mandando um beijo lá da esquina. E você fica lá, meio triste, mas também meio conformada, porque sabe que esse tipo de homem passa pela sua vida rapidamente, como uma piscada, porque precisa se alimentar da paixão fulminante de centenas de mulheres ao longo do caminho, num impulso insaciável de bicho que respira últimos suspiros e sobrevive de amar aos pedaços. E são os únicos homens perdoáveis e nós nunca deixamos de amá-los ou de lembrá-los com carinho, porque carregam consigo uma certa inocência infantil que temos necessidade de consolar com abraços maternos e olhares compreensivos. E nunca desejamos mal a eles de verdade, porque quando um homem desses morre, pelo menos umas duzentas mulheres morrem junto. É quase uma sociedade secreta onde tudo acontece, mas nada se diz, talvez para não quebrar a poesia abafada. E carregamos nossos falsos-amores como troféus pela dor que suportamos toda vez que eles vão embora levando uma parte do nosso choro no ombro da camisa, porque aqueles homens não são e nunca serão de ninguém. E nós ficamos lá, paradas no meio da rua, como frágeis bonecas de porcelana, completamente ocas por dentro, imaginando a próxima que vai ter a sorte de se esconder naquele abraço. E eles seguem em frente, vivendo desse quase-amor distribuído sem culpa, invejado por todos os outros homens que nunca conseguirão ser amados com tanta urgência, por tantas mulheres e em tão pouco tempo.
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